Antes de tudo, se vc decidiu começar a ler esse texto por causa do chamativo título, saiba que essa não é mais uma história de traição por causa do vaginismo, trata-se desabafos em forma de fatos e pensamentos que assombram minha vida de mulher vagínica.
Sei que é difícil se manter sempre no topo, levando o tratamento no mesmo nível, mas tentar a maior parte do tempo alcançar a cura num mesmo patamar de ânimo, ajuda. Digo isso porque sinto que me acomodei com a situação. Vi mulheres aqui curadas dentro de meses após a descoberta, enquanto eu sei o que tenho a anos. Meu namorado parou há tempos com as cobranças, não que ele tenha deixado de me incentivar, porque sempre que digo que vou reiniciar o tratamento, ele me dá força como pode, acho que tem medo de me pressionar demais e acabar me atrapalhando, me magoando e me diz que penetração no nosso caso é só um detalhe que ainda vamos aperfeiçoar, mas isso, claro, não me deixa tranquila. As vezes me sinto culpada por não poder dar o prazer que meu companheiro merece. Tenho anos de relacionamento e depois que descobri o vaginismo, paramos de tentar a penetração. Confesso que fiquei muito tempo desanimada, parei a terapia com psicólogo, não pratiquei os exercícios e nem na ginecologista ia. Confesso também que coloquei outros planos na frente do vaginismo e hoje, depois de um bom tempo que conheci essa disfunção, me arrependo de não ter seguido e perseguido o caminho para cura. As vezes penso que a partir do momento que eu me casar, a necessidade da cura se tornará ainda maior e então eu correria atrás do prejuízo. Na verdade, tenho quase certeza de que meu namorido pensa assim também, achando que depois do casamento tudo vai melhorar, mas no fundo sei que não funciona bem assim.
Pois é, acomodei, ou melhor, acomodamos. Mas não quero mais isso. E esses blogs que encontrei pelo caminho me fez levantar a cabeça, pois vi que muitas mulheres venceram o vaginismo (obrigada de coração por vcs existirem, gente) e estão aqui, com alguns arranhões, mas vivas, dispostas a ajudar quem precisa, como eu que quero muito me curar desse mal.
Bom, me acomodei esse tempo todo e sabendo que tenho um "namorido" lindo, inteligente e amigo do meu lado (pelo menos pra mim é isso tudo, ne gente, rsrs), me passam mil e uma coisas pela cabeça. Gente, se alguém se sentiu um dia como eu, por favor, mande um sinal de fumaça. Já tive crises de chorar horas pensando que minha limitação pudesse me colocar um "belo" par de galhos. Já terminei meu namoro algumas vezes porque queria deixa-lo livre pra aproveitar a vida como quisesse. Sofri de cá e ele de lá. Já viajei na maionese com imaginações e quase moriiii por causa de crises de ciúme por saber que tantas mulheres "completas" o rodeavam (no trabalho, na rua, na faculdade) e eu ali, não sei fazendo o que. Mas o fato é que eu nunca vi, nem ouvi nada de concreto, nada que me fizesse ir mais a fundo numa investigação de traição. Por outro lado, acho que se nós vagínicas (aff) temos alguém do nosso lado, é porque somos verdadeiramente amadas, mesmo com nossas limitações e medos, não porque possuímos um órgão sexual funcionando a todo vapor, o que pra um homem é muito, muito importante, mas não é tudo. Caso contrário, o que faria ele com uma mulher que não consegue se entregar por completo, tendo tantas outras "opções" por aí?
Continuando, mais da metade das minhas crises foram nos braços dele, nem sei se eu deveria te-las na sua frente, quando vejo, já to ali, naquela situação. Aliás, sinto muito a falta de alguém (a não ser ele, claro) que eu possa conversar abertamente sobre problema, sem ter que disfarçar quando o papo é sexo. Ele sempre conversou muito comigo, acabando por desmanchar essas idéias da minha mente. Mas elas voltam. De vez em sempre, voltam.
Um blog que conta fatos da vida de mais uma mulher que convive com o vaginismo e sua luta, com altos e baixos, pra se livrar dele. Vida E vaginismo. Impossível separar a vida, o dia-a-dia, os desafios do cotidiano dessa disfunção, impossível não pensar todos os dias no problema que para muitas é o único impecilho para a completa felicidade, mas perfeitamente possível aceita-la e lutar pra que um dia ela seja apenas uma lembrança distante.
Quem sou eu
- Vida
- Quem sou eu? Pergunta que me faço todos os dias e como somos seres em constante mutação e inconstantes, nunca obtenho uma resposta completa. Mas posso dizer o que me levou a estar aqui escrevendo essas palavras para mim e para quem queira dividir comigo as dores, tristezas e até alegrias de quem convive com o vaginismo: a esperança de cura do único mal que me impede de encontrar a felicidade plena.
Cara Amiga!
ResponderExcluirNão foi só vc que se sentiu assim, eu também sempre imainava que um dia meu marido iria me trair por alguma mulher que tem uma vagina que fonciona, visto que a minha não funcionava, mas graças a Deus isso não aconteceu.
Coloque como prioridade a cura do vaginismo agora, não espere que no casamento vc busque a cura, si permita, corra atrás da sua Felicidade,
O Bom de termos o Blog, é que todas sabem o que cada uma passa e entende perfeitamente.
Acredite, Vc será curada quando se empenhar com todo seu esforço!
Um Bjo e fique com Deus!
Amiga Soraia, é muito bom saber que não estou sozinha nessa, que sou apenas mais uma quando meus pensamentos perturbam...rsrs
ResponderExcluirTenho certeza que quando me dedicar exclusivamente a cura, conseguirei êxito!
Obrigada mesmo pelo apoio.
Bjs e fique com Deus vc tb.
Vida... senti como se eu mesma tivesse escrito esse texto. Me sinto exatamente assim.
ResponderExcluirTenho tantas crises que tem dias que acho que nao vou aguentar. Mas o amor em primeiro lugar por mim e depois por ele, traz a minha mente nos meus momentos de lucidez, que vale a pena continuar tentando. Hoje mesmo estamos brigados por uma crise dessas minhas. Eu acabo que sufoco ele com minhas cobranças, ciumes exagerado. Mas a gente fica cega ne? E isso distancia ainda mais a nossa cura. Deixei de praticar os exercícios há 2 dias por causa dessa crise. Ou melhor, atrasei minha cura em 2 dias porque cada dia é importante pra vencermos. Ler seu texto me fez bem porque me enxerguei em voce e qdo vemos o problema de "fora" a ficha cai! Hoje mesmo volto aos meus exercícios.
Obrigada amiga!
Desejo muita força pra que vc priorize sua cura
Bjs
Amiga Grazi, que ótimo que esse texto te fez bem! Aqui no blog é assim, agente desabafa e acaba ajudando as amigas...rsrs
ResponderExcluirVc tem toda razão, temos que colocar o amor próprio em primeiro lugar, assim vale sempre a pena voltar a luta, mesmo quando as coisas não andam bem. Acho que essas crises de ciúmes que de vez em quando assombram, no nosso caso, devem ser normais, ne? rsrs
Então, muita força pra nós e vamos lá.
Bjsss.
Oi Vida... como vai?
ResponderExcluirAnda sumida como eu...
De noticias.
Publiquei no meu blog como foi minha 2ª consulta. Apareça lá
Bjs
Grazi